Vamos lá, então!


A partir de hoje, doravante e para o futuro, é aqui que podeis ficar a par e passo certo com a actualidade que realmente interessa, à medida que os gatos vão deixando os jornais do dia, ainda a cheirar a peixe, ao pé do Quiosque e à mão de semear da Maria Pandilha, uma vossa criada e criatura fortemente empenhada na livre circulação de informação, ideias e outras merdas.
Por isso as vendo ao preço que as compro, as notícias do dia.
Se cheiram a peixe, a culpa não é minha. Se quereis jornais a cheirar a tinta, comprai-os vós, que isto não é a Santa Casa, gaita!

Vamos lá, então.

sábado, 11 de abril de 2009

Suplemento de Fim-de-Semana


Caros amigos, sabedora de que estes fins-de-semana prolongados se podem tornar, por vezes, fastidiosos e sem assunto, aqui vos deixo esta engraçadíssima lenga-lenga, que podeis cantar em grupo, até mesmo no quintal, se o tempo o permitir. Tomai em atenção os gestos que deveis fazer, enquanto cantais. Isto é muito importante. Se alguém se enganar, perde e tem de ficar com uma batata na boca até ao fim. A canção acaba quando já ninguém souber mais nenhum instrumento musical de duas sílabas, ou quando se acabarem as batatas.
Diverti-vos então com esta Mistenlaire !

quinta-feira, 9 de abril de 2009

E até pode não haver uma relação directa, causa-efeito, mas é um facto e o DN puxa-o para a primeira página, dizendo que a polémica fez aumentar as queixas, ao Provedor de Justiça.

Não que seja a polémica a razão directa das queixas, supõe-se... As queixas, chegadas à Provedoria, serão de muitas e variadas origens e razões. A polémica de que se fala é, obviamente, a do atraso na nomeação do novo homem para o cargo. O actual provedor deve voltar ao trabalho depois da Páscoa, enquanto se espera que os partidos se decidam, quanto ao nome do provedor que se segue a Nascimento Rodrigues… As queixas, as denúncias, essas, só o mês passado chegaram quase 600, à Provedoria de Justiça; um número superior à média mensal do ano de 2008. O ano passado, já agora, foi o ano em que se bateu o recorde, com um total de 6961 casos apresentados.

Na capa do Jornal de Notícias, os médicos põem em causa a qualidade dos genéricos… É já quase o estertor da polémica à volta dos medicamentos e da eventual possibilidade de troca… enfim, sabem do que estamos a falar. A Associação Nacional de Farmácias anunciava ontem o adeus às armas, nesta batalha, ou pelo menos nesta primeira fase. A partir de agora, as farmácias limitam-se a informar, das alternativas aos medicamentos de marca prescritos pelos médicos, mas não irão além disso. A ministra já disse entretanto que admite fazer rever a lei, que regula esta matéria… Os médicos, já se viu, está na manchete, põem em causa a qualidade dos genéricos. Entretanto, nos 12 dias, em que a campanha de troca de medicamentos esteve em prática nalgumas farmácias, ter-se-ão poupado uns 200 mil euros.

200 mil euros, nem mais! Foi justamente o valor calculado das obras de arte, que esta enfermeira roubou e vendeu. Quadros e estatuetas que pertenciam a um idoso – diz que – homem de negócios abastado e doente, que ela tratava na mansão de Lisboa. É assim que o 24 Horas descreve o essencial da notícia, que faz a manchete na edição de hoje.

A mulher já foi detida pela policia e consta então que, desde Fevereiro do ano passado, esta enfermeira, um dia um quadro, no outro uma outra peça, lá ia levando o que podia. E do que levou, destaque-se por exemplo este Arpad Szenes, avaliado em 20 mil euros, ou estes dois Cargaleiros, que renderiam quase 15 mil euros no mercado negro… ou as telas de Nadir Afonso, também elas somadas chegavam aos 20 mil euros. Diz o jornal que a enfermeira, para o patrão não dar por falta das peças, redecorava a casa, para disfarçar. Consta que terá conseguido mesmo vender algumas das peças em antiquários de Lisboa. A polícia tenta agora recuperar o espólio roubado e perceber entretanto, de entre os compradores das obras roubadas, aqueles a quem poderá também ser imputada responsabilidade criminal.

Na primeira do Correio é a situação na Guarda o que faz a manchete e, oh da Guarda, que os salários estão a ser penhorados na GNR – é o que diz o título. Enfim, o oh da Guarda é meu!...

“Salários penhorados a militares da GNR.” Fala-se de situações de sobre-endividamento, que estão a levar muitos deles à depressão e suicídio. As chefias vão promovendo, entretanto, palestras para ensinar a gerir as finanças e a economia doméstica dos militares da Guarda.

O destaque do Público reparte-se hoje entre a foto vencedora de um concurso fotográfico promovido por uma instituição bancária e as eleições para o parlamento europeu.

O concurso, diz que é o mais importante prémio de fotografia actualmente em Portugal…A foto vencedora chama-se “Topologias”, é de Edgar Martins e retrata uma paisagem estranha e soturna, como que vista de avião. Edgar Martins nasceu em Évora, tem 32 anos e a foto que submeteu a concurso e que agora pode ser vista no Museu do Oriente, já antes tinha sido exposta no Centro de Artes Visuais de Coimbra, há 2 anos.

O outro destaque do Público de hoje vai então para as eleições europeias e para a escolha dos candidatos, que faltam para compor as listas do PS e do CDS a essa corrida. Correia de Campos, Nuno Melo, Elisa Ferreira, Teresa Caeiro, Diogo Feio, Ana Gomes… enfim, muita gente.

Alguns são, ao mesmo tempo candidatos autárquicos.

Quando chegar a hora se verá, por que campeonato se decidem. Se pela Taça de Portugal, se pela Liga dos Campeões da Europa.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

E, tirando os económicos, todos os outros puxam a Liga dos Campeões para a primeira página. A Liga dos Campeões de Futebol e o empate do Porto ontem em Inglaterra frente ao Manchester. Um empate com sabor a vitória, tendo em conta a envergadura do adversário e o facto de se jogar fora de casa. Um empate a dois golos foi o resultado. Um dragão com alma de campeão, diz o Correio da Manhã. Dragões de luxo, chama-lhes o 24 Horas.

Mas os económicos não. O Diário Económico faz manchete com o mais de meio milhão de casas, que se encontram à venda neste momento em Portugal. 10% do total do mercado. Acontece que agora são mais casas velhas, o que se encontra, do que habitações a estrear.

No Jornal de Negócios, a manchete vai para a Quimonda.

Diz o jornal que os alemães da Quimonda tiraram 150 milhões de Portugal em Dezembro. Eram os lucros acumulados. Semanas depois, como se sabe, o tribunal de Munique recebia o pedido de insolvência da empresa.

E depois a guerra dos medicamentos. Hoje o Jornal de Negócios publica uma entrevista com João Cordeiro, presidente da Associação Nacional de Farmácias. No essencial e em título, o jornal destaca esta frase: “Ilegalidade na venda dos genéricos? A ministra que resolva.” E aqui parece resumir-se uma boa parte de toda esta polémica. Ou seja, com cada um dos intervenientes responsáveis a empurrar para o outro a própria responsabilidade da decisão final.

Olha a capa do Público! Aqui o destaque não faz a manchete, mas merece ainda assim chamada de capa. António Arnaud, o fundador do Serviço Nacional de Saúde, como o jornal faz questão de lembrar… António Arnaud é hoje citado no Público, a propósito desta guerra dos medicamentos. E terá dito António Arnaud – aqui ressalve-se, que a afirmação, pode ser que o jornal a tenha isolado do contexto de forma tal que, por isso mesmo, ela soe um pouco estranha, para não dizer insólita, mas vamos lá… Diz António Arnaud, que “a legislação deve ser alterada, para permitir que seja o doente a decidir sobre a compra de medicamentos de marca ou genéricos.” E é assim, tal e qual que está aqui escrito.

É ou não é estranho, quando um dos argumentos e receios dos médicos é justamente o facto dos genéricos poderem ter na sua composição excipientes ou outras drogas conexas, que possam fazer mal, ou provocar reacções indesejáveis? … Quando a principal reserva dos médicos é a de que, o que está aqui em causa é uma guerra de interesses comerciais e não de saúde pública? Quando os médicos afirmam, que a Associação Nacional de Farmácias está a escamotear esse facto, para iludir o consumidor e fazê-lo acreditar que não há perigo e que é tudo, de uma forma ou outra, em benefício do doente? … António Arnaud acha que deve ser o doente – aquele que no meio disto tudo é decerto o que tem menos informação sólida na matéria, aquele que está a ser, aliás e em boa verdade, a ser assustado e confundido por todos os envolvidos no processo… acha então, António Arnaud, que deve ser o doente a decidir. Seja.

Na capa do DN deixa-se o alerta: “Há Câmaras municipais em Portugal sem meios para rede de comunicações em caso de emergência.” Diz o jornal, que algumas estão a tentar negociar sistemas autónomos de comunicação, já que aderir ao SIRESP, o sistema integrado e global proposto pelo Governo, lhes sai demasiado caro.

E a crise de novo. A crise e os danos colaterais. Diz o JN, que a saúde vai vigiar as vítimas da crise, ou seja, daqui a 2 meses sai para o terreno uma unidade especial de alerta, para doenças relacionadas com a crise. Os efeitos do desemprego e, mais que isso, a situação dos novos pobres. Situações de maus-tratos e de doenças historicamente relacionadas com a pobreza e a miséria, como é o caso da tuberculose.

Outras contas surgem em rodapé na capa do Correio da Manhã. Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, diz que tem um cadastro com 6 milhões de devedores, em empréstimos e créditos mal parados.

Puta que pariu, com vossa licença, seis milhões é mais de metade de Portugal!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Comecemos por aqui. Diz o Diário Económico que as multas disparam para empresários que mintam à Segurança Social. É a consequência do Novo Código Contributivo, que vai esta semana à Concertação Social, prevendo um exponencial aumento das coimas a pagar por falsas declarações. As multas podem chegar aos 25 mil euros, sendo que não será esta a única novidade do Novo Código. O jornal publica então todas as mudanças, que o Novo Código Contributivo, prevê em matéria de descontos para a Caixa.

Na capa do Jornal de Negócios dá-se conta da surpresa dos clientes da Caixa, mas neste caso, da Caixa Geral de Depósitos.

“Caixa surpreende clientes com corte no juro das obrigações” - é a manchete. A queda das taxas Euribor pode atirar a remuneração do produto para menos de 2%, contra os anunciados 5% – é o que se explica em avanço e sub título.

É também pela economia que vamos na primeira do Público…

“Fisco deixa prescrever 3 milhões e 700 mil euros de correcções ao IVA feitas à Banca.”

O Estado saiu lesado, porque terá ignorado a proposta da própria Inspecção-geral de Finanças. O total corresponde a cerca de um terço, do apurado em correcções ao IVA, referentes ao ano fiscal de 2004. As correcções foram sugeridas no âmbito de uma auditoria da Inspecção-geral de Finanças, efectuada em 2007 sobre o IVA a aplicar ao sector financeiro. Consta que o BCP foi de longe a instituição financeira com maiores correcções tributárias. Consta também, que o comportamento do Fisco, ao ignorar a proposta da Inspecção-geral, terá custado largas dezenas de milhões de euros aos cofres do Estado.

E depois a cimeira Estados Unidos- União Europeia.

A fotografia ilustra a euforia, que rodeou a presença de Barak Obama em Praga. Os manifestantes acotovelando-se entre sorrisos, esticando os braços tentando tocar – há um que o consegue mesmo – tocar o rosto do presidente norte-americano. Os outros, enquanto tentam, vão disparando frenéticas máquinas fotográficas por cima das cabeças uns dos outros…

A legenda diz assim: “Obama uma estrela na Europa, um míssil na Coreia do Norte. “

O míssil de que se fala é o tal, que Piongiang garante ser apenas um satélite de transmissões, que para o efeito – o de teste de voo – consta que se preparava para dar umas quantas voltas à Terra, enquanto transmitia cantigas heróicas de louvor à revolução comunista norte coreana. Acabou por amarar no Pacífico. As autoridades norte americanas garantem que se tratou de um ensaio de lançamento de mísseis nucleares de longo alcance. A verdade é que, mais um bocadinho e o artefacto – fosse lá o que fosse – aterrava no Alasca, ou até mesmo no Hawai. Dizem que tinha, pelo menos, autonomia para o fazer.

No DN voltamos à Economia, se bem que por portas travessas. Chama-se-lhe um Big Brother e é uma medida que o Banco de Portugal vai fazer cumprir a partir de amanhã… Tudo passa por esta gigantesca base de dados, onde se cruzam as informações sobre dívidas aos bancos, ao fisco e aos tribunais… O Banco de Portugal chamou-lhe, em linguagem mais própria e séria: Central de Responsabilidade de Crédito. Porque é disso que se trata… saber, sem sofisma e de fonte segura, a real situação financeira dos candidatos a crédito bancário.

Também na capa do DN, Obama pede o fim do nuclear, enquanto a Coreia desafia o mundo com o tal lançamento suspeito e controverso.

O desarmamento e a salvação do ambiente. É aliás por aí que vai, também, a capa do JN…

“Mais unidos para salvar a terra”, diz o título… Obama adoptou discurso verde na cimeira Estados Unidos-União Europeia… O jornal dá ainda conta de um fórum internacional para discutir o futuro dos pólos e que hoje começa em Baltimore.

E de saída, duas fulminantes manchetes… Correio da Manhã diz que o caso Freeport vai ficar em segredo de justiça mais um ano…

O 24 puxa Souto Moura para a capa e reproduz esta frase lapidar do próprio ex procurador-geral da república… diz Souto Moura… “o processo Casa Pia vai ter dois condenados: o BIBI e eu.”